Passou um mês e a história repetiu-se. A ponte está efetivamente construída entre Cardielos e Montaria. E se em tempos de crise tudo se queixa que não há dinheiro para grandes obras, os seniores mostram que se está sempre a tempo de edificar amizades e mandar embora a solidão. A segunda-feira, 16 de janeiro, juntou com esse propósito os utentes do Centro Social e Cultural da Paróquia de Cardielos e os Montarienses, num total de 50 pessoas, em festa, no salão paroquial de S. Lourenço da Montaria.
O senhor Padre Vítor lançou novamente o convite pelas terras montanhosas da Montaria, prometendo uma tarde diversificada e diferente da que se tinha vivido no mês passado. Em Cardielos já tudo estava a postos para o convívio com o que quer que ele trouxesse.
Destapando um pouco o mistério, a tarde começou com uma olhadela em vídeo das festas da Montaria. Entretanto, chegaram vozes de Viana que calaram qualquer produção cinematográfica, já que vieram entoar as janeiras. Os utentes da Congregação da Nossa Senhora da Caridade fazem anualmente o cantar das janeiras pelas instituições do distrito. Os que não puderam ir à Montaria tiveram também direito a ouvir as vozes e as canções dos da Caridade ontem, 17 de janeiro, porque estes seniores dirigiram-se ao Centro Social e Cultural da Paróquia de Cardielos.
Esta ação, de percorrer várias instituições, é para os idosos uma forma de se sentirem úteis e valorizados. “Fazemos aos outros o que gostamos que nos façam a nós, afinal fazer o bem aos outros também é fazer bem a nós próprios”, contava Fátima da Caridade.
Depois do canto de janeiras não terminou a cantoria porque, em uníssono, os presentes improvisaram mais umas modinhas ao som da concertina do Leandro. “Vejam só, foi preciso chegar a mais velha para me virar para cantar”, contava entusiasmada uma senhora da Montaria. Cardielenses, Montarienses e Vianenses não deixaram a inatividade entrar nesta tarde de festa. Com as professoras de ginástica, Ana e Joana, foram divididos em dois grupos e tiveram uma hora de exercício, bem necessário antes do lanche. No final, a aprovação das professoras foi visível. “Foi um espetáculo, fizeram tudo o que estava planeado. Para nós estas experiências só nos enriquecem porque melhoramos e desafiamo-nos enquanto profissionais”, atentaram as professoras.
Os intervenientes também fizeram questão de sublinhar os benefícios ginástica. Apesar de serem esperadas mais pessoas da Montaria, que devido a um imprevisto não puderam participar, os que nunca tinham feito ginástica estavam muito divertidos e os que fazem semanalmente continuaram a cuidar do corpo e da mente. “Fartei-me de rir, nunca tinha feito ginástica tudo o que fiz foi em festa para aprender”, gracejou Maria.
Então, “saírem do conforto do lar para outro espaço e conviverem tem efeitos muito bons”, constataram as professoras. Que o diga Isaltina, da Montaria, que saiu muito bem impressionada. “Este sítio é muito agradável e limpo foi uma tarde excelente, é pena é ser de longe e não ter mais companhias para vir, senão vinha mais vezes”.
Os Cardielenses também não se fizeram de rogados a elogiar desde as cantorias, à ginástica e ao lanche. Os participantes da Montaria juntaram, ao pão e sumos, bolinhos para adoçar os que por ali passaram para que possam voltar.
Notamos que, “cada vez que lá vamos, as pessoas estão mais alegres. Sem dúvida que estes convívios fazem falta porque muitas pessoas estão sozinhas e assim aliviam elas e nós”, frisou Judite, de Cardielos. Nem combinadas se obtinham opiniões tão coincidentes, isto porque a irmã Rolinda explicou exatamente o mesmo com a nota que “este convívio foi ainda melhor que o outro, dado o maior número de atividades”.
Parece que as pessoas já estão ambientadas e aprovação é geral. Logo, o mote “envelhecer com dignidade” está cada vez mais a fazer sentido para os lados da Montaria, e também Cardielos. “Gostei de tudo e gostei muito. Eu gosto sempre porque é uma festa com gente muito animada”, contou a sempre alegre Rosália da Montaria.
A sensação de Olívia Gomes, do Centro de Cardielos, de que “ aonde vou encontro gente mais triste que nós”, começa a ficar um pouco contrariada, até porque “este apoio só pode ter sido Deus que mandou um anjo para a terra. Está a correr tão bem que é impossível não gostar”, frisou Madalena, enquanto beneficiária do Apoio Domiciliário.
Ainda assim, “é pena que a estes convívios não adiram mais pessoas porque é bom passar o tempo com gente que vale a pena, mas por aqui as pessoas ainda estão muito habituadas e ficar em suas casas”, lamentaram José e Mário.
Marisa Ribeiro
* Escrito a abrigo do novo acordo ortográfico