Confraria de S. Silvestre

Sobranceiro à freguesia de Cardielos, a qual delimita e protege dos ventos de agrião, o monte de São Silvestre pode considerar-se parte integrante do conjunto orográfico: Santa Luzia-Afife-Âncora-Outeiro-Perre-Nogueira.

Não só pelos seus atributos naturais e histórico-arqueológicos como por se ter tornado local de religiosidade, convívio e lazer, é hoje bem conhecido, pode até dizer-se notável, e muito procurado para aqueles fins.

Dali se vêem: em frente, o Rio Lima e o monte de Roques (ou do Santinho), para nascente, ao longe, terras de Ponte; e, a poente, Viana e o Monte de Santa Luzia.

O Monte de S. Silvestre foi escolhido pelos devotos do Santo para implantar uma ermida na depressa do terreno, sita abaixo e poente do cabeço meridional do monte.

Ali, por ser um sítio cómodo e de acesso viável desde a igreja paroquial, como se pode verificar pelo itinerário da calçada antiga; por haver pedras de ruínas castrejas para a construção; e por caber dentro do território de Cardielos a primitiva ermida que era de pequena dimensão, sendo só mais tarde ampliada e ficar a ocupar alguma área dentro dos limites da freguesia vizinha.

O santuário possui duas casas de apoio, a mais antiga, denominada da Música, e a mais recente à qual chamam dos romeiros, bem como instalações sanitárias completamente erigidas em 4 de Abril de 2012.

Recebe duas festas anuais: a 25 de Julho do padroeiro S. Tiago e a 31 de Dezembro de S. Silvestre. Os romeiros visitam o santuário, assistem aos actos religiosos e dão voltas (fazem romarias), de joelhos ou a pé no recinto da capela e põem no prato o seu donativo.

Tradição antiga e imemorial atribuíu ao Santo poder protector sobre os animais, sobretudo bovinos. Os agricultores recomendavam-nos a S. Silvestre e levavam-nos a dar voltas em romaria ao redor da capela e a receber a bênção.

Cabe à Confraria organizar ambas as festas, já que a religiosidade cristã vê nos Santos modelos a imitar e a eles recorre como especiais protectores e advogados junto de Deus. É assim em S. Silvestre.

Esta secular Confraria tem a sua origem no século XIV/XV, mas só foi oficialmente reconhecida a 7 de Julho de 1614 por sua Santidade Paulo V, no 10º ano do seu Pontificado, altura em que através de uma bula papal concedeu a favor da Confraria do Glorioso S. Silvestre da freguesia de Cardielos, Concelho de Viana do Castelo, várias indulgências, as quais estão inscritas num manuscrito existente no arquivo paroquial.

A Confraria é pois uma associação pública de fiéis e, porque foi ereta canonicamente por decreto papal, goza de personalidade jurídica pública da Igreja. Em 1940 foi reconhecida a personalidade jurídica na sociedade civil.

 

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