A Paróquia

“As famílias daquela “villa”, vivendo em convergência de fé e costumes à volta de um centro de piedade cristã ou oratório dedicado ao apóstolo e mártir São Tiago, formavam uma comunidade com os requisitos necessários para a instituição canónica em paróquia:

  1. o número suficienIMG_0233te de vizinhos (famílias cristãs);
  2. orago ou santo patrono da comunidade, São Tiago;
  3. lugar digno ou templo destinado ao exercício do culto;
  4. dote patrimonial de bens para garantia do respectivo culto”.

“Embora sem documentos específicos, podemos adiantar com muita probabilidade ter sido a Paróquia de Cardielos instituída no tempo da Reconquista cristã, após a presúria territorial, o permitiram as circunstâncias”.

“A mais antiga menção que se conhece de Cardielos, certamente já paróquia, aparece na carta de doação, com data de 20 de Abril de 1115, feita por Paio Soares ao mosteiro de São Salvador da Torre.”

Padre João Cunha Viana in São Tiago de Cardielos (2005) pp. 45 e 46

Em 1258, na lista das igrejas situadas no território de Entre Lima e Minho, que foi efectuada por ocasião das Inquirições de D. Afonso III, Santiago Maior de Cardielos é citada como uma das igrejas pertencentes ao bispado de Tui.

Em 1320, no catálogo das mesmas igrejas, mandado elaborar pelo rei D. Dinis, para o pagamento da taxa, foi taxada em 92 libras.

Em 1444, D. João I conseguiu do Papa que este território fosse desmembrado do bispado de Tui, passando a pertencer ao de Ceuta, onde se manteve até 1512. Neste ano, o arcebispo de Braga, D. Diogo de Sousa, deu a D. Henrique, bispo de Ceuta, a comarca eclesiástica de Olivença, recebendo em troca a de Valença do Minho. Em 1513, o Papa Leão X aprovou a permuta.

Quando, entre 1514 e 1532, o arcebispo D. Diogo de Sousa procedeu à avaliação dos benefícios eclesiásticos incorporados na diocese de Braga, Santiago Maior de Cardielos rendia 46 réis.

Em 1546, no registo da avaliação dos benefícios da comarca de Valença, a que se procedeu no tempo do arcebispo D. Manuel de Sousa, Santiago de Cardielos tinha de rendimento 20 mil réis.

Na cópia de 1580 do Censual de D. Frei Baltasar Limpo sobre a situação canónica destes benefícios, Santiago de Cardielos é identificada como sendo da apresentação do arcebispo e de alguns padroeiros.

Segundo o Padre António Carvalho da Costa, Santiago Maior de Cardielos era abadia da Mitra, do padroado real.

Em termos administrativos, pertenceu, em 1839, à comarca de Ponte de Lima e, em 1852, à de Viana do Castelo. Em 1878, aparece no julgado de Portuzelo.

Pertence à Diocese de Viana do Castelo desde 3 de Novembro de 1977.

Fonte: Arquivo Distrital

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