Novo ano pastoral na Diocese de Viana com o imperativo da misericórdia

Como é habitual também a nível diocesano se iniciaram os trabalhos do ano 2015/2016. Este novo ano pastoral foi apresentado a 19 de Setembro. Foi neste momento que o Bispo Diocesano, D. Anacleto, apresentou também a mais recente carta pastoral, “Sede Misericordiosos” (Lc 6, 36).

Se o Conselho Pastoral Paroquial teve pouca gente, o mesmo se pode dizer da abertura dos trabalhos na Diocese. Perante pouco mais de 20 pessoas, o Vigário Geral da Diocese, Monsenhor Sebastião Pires, e o Bispo Diocesano repartiram entre si o apresentar daquilo que este novo ano trará, o Vigário centrou-se nas actividades e o Bispo Diocesano na nova carta pastoral.

Recordemos que o ano passado, na passagem do aniversário dos 500 anos do nascimento do Beato Bartolomeu dos Mártires, iniciou-se na Diocese um triénio dedicado à “Família, enquanto comunidade de vida e de amor”. Se no ano passado se focou na gestação e o crescimento, este ano, assinalando os 425 anos do falecimento do “Arcebispo Santo” o olhar recai sobre os mais frágeis.

Na introdução feita pelo prelado este socorreu-se à paciência, através da passagem bíblica escutada, para lembrar que é a palavra chave para o começo do ano pastoral. “Temos de dar tempo ao tempo. (…) É uma virtude difícil, mas preciosa”, sublinhou.

“A pastoral não se pode impor, mas propor porque tudo se fará só se a pessoa aderir. A pastoral quer vencer e convencer”. No entanto a difícil e preciosa virtude da paciência torna-se mais complicada por jogar com duas atitudes, o ritmo das coisas e o insucesso.

Como explicava D. Anacleto as leis que nos comandam obrigam-nos ainda a engolir sapos e a ouvir aquilo que não estamos preparados por isso, “nós próprios precisamos de nos converter”.

Porém surge uma advertência: “paciência não significa inactividade porque quem tem paciência não baixa os braços e continua a lutar para que se realize”.

Portanto, esta palavra de S. Pedro é oportuna no começar de mais um ano pastoral. “Que o Senhor nos dê força e alimente a nossa paciência para quem está responsável seja do que for na Igreja”, pediu.

Muito brevemente foram depois passadas as actividades mensais pelo Monsenhor, a fim de corrigir o que por ventura estivesse incorreto ou até o que estivesse em falta.

Nova Casta Pastoral 2015/2016: “Sede Misericordiosos”

No final dos trabalhos desta manhã coube ao Bispo Diocesano a apresentação de mais uma carta pastoral que pretende orientar os fiéis da Diocese. Com esta Carta Pastoral, D. Anacleto articula a Diocese com o ano santo da misericórdia proclamado pelo Santo Padre.

“A misericórdia permite-nos tomar parte, de modo muito especial, na comunhão que une o Pai, o Filho e o Espírito Santo”, lê-se na publicação.

Com esta Carta Pastoral o Bispo pretende trocar os mais novos, sobre os quais se debruçou no ano passado, pelos mais velhos, desprotegidos ou doentes e, por conseguinte, sobre o Sacramento da Unção dos Enfermos. No último ano do triénio o foco irá para os Sacramentos de Serviço, conforme explicou.

Mais uma vez é uma carta de carácter contemplativo, ou seja, antes da acção exige contemplação. “Sentimentos de misericórdia sem acção são vazios”, advertiu. Além disso “é para ir lendo e não ler de uma assentada e pôr no bolso”, pediu. Tal sucede porque “contemplar a palavra de Deus torna-nos misericordiosos”.

A carta está dividida em quatro partes, além da introdução e conclusão. Na primeira parte encontramos a “misericórdia: a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade (um Deus por natureza misericordioso; um Deus que, por misericórdia, está connosco; Jesus, o rosto da misericórdia de Deus; Bendito seja Deus pela sua eterna misericórdia).

Na segunda parte D. Anacleto fala da “misericórdia: o acto supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro (a misericórdia do Mistério Pascal; a cura integral da misericórdia de Deus; a misericórdia do sacramento da Penitência; a misericórdia do sacramento da Unção dos Enfermos). Na penúltima parte o Bispo foca-se na “misericórdia: a lei fundamental que mora no coração da pessoa (a misericórdia que nos leva a perdoar; a misericórdia que nos leva a corrigir; a misericórdia que nos leva a honrar os idosos; a misericórdia que nos leva a aproximar-nos dos doentes). Por fim, o Prelado fala da “misericórdia como o caminho que nos abre à esperança de sermos amados para sempre (a misericórdia que nos há-de julgar; a misericórdia que é indulgente para connosco).

Assim, “atravessar a Porta Santa ou a Porta da Misericórdia, no dizer do Papa, será sinal de que a própria misericórdia é uma meta a alcançar que exige sacrifício. Por isso a peregrinação há-de servir de estímulo à conversão” (n.º 49).

Conversão que pode por exemplo ser vista numa das obras de misericórdia, num total de 14, que farão parte do percurso deste novo ano pastoral e que D. Anacleto também recordou antes de terminar. À semelhança do Prelado recordamos também essas obras que se pede que estejam evidentes nas acções desenvolvidas durante o ano pastoral de 2015/16.

As 14 Obras da Misericórdia

Obras Corporais:
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nús;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

Obras Espirituais:
1ª Dar bom conselho;
2ª Ensinar os ignorantes
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os tristes;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus pelos vivos e defuntos.

 

Leave a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *