Cardielos venerou o padroeiro S. Tiago

S. Tiago, o padroeiro da comunidade paroquial de Cardielos originou quatro dias de festa no alto do monte de S. Silvestre, de 23 a 25 de Julho, dia próprio de S. Tiago. Quanto às festividades, “decorreram dentro dos parâmetros planeados pela Confraria”, conforme contou o juiz João Luís.

Não contando propriamente como dia de festa, os sinais de comemoração começaram a ficar visíveis a 19 de Julho quando foi hasteada a bandeira, no entanto só a 23 se começaram a suceder os momentos de festa. A Casa Pereira fez soar as primeiras músicas gravadas e já à noitinha iluminou-se o recinto. Neste cenário, e com pouca gente a assistir, decorreu o festival de folclore com grupos de renome como o Grupo Etnográfico da Areosa, a Ronda Típica da Meadela e, naturalmente, o Grupo Folclórico das Bordadeiras de Cardielos.

Acerca da pouca adesão explicou o juiz que “na antevéspera da festa, realmente a adesão de pessoas ao recinto não foi muita, contudo o serviço de bar e cozinha trabalhou razoavelmente, ultrapassando em muito o que prevíamos para esse dia”.

No dia seguinte, Sexta-feira, a noite já foi mais concorrida, ainda assim distante do número de pessoas que visitam Cardielos na festa de inverno, no período da noite. Durante o dia essa tendência não apareceu. O Grupo de Bombos de Sampriz animou os muitos presentes, entre eles os amigos de S. Silvestre que se reúnem sempre em convívio neste dia e outros tantos grupos de amigos e famílias que rumam a S. Silvestre para degustar o saboroso cabrito.

Como é hábito decorrem também os torneios de malha e sueca que a Associação Cultural e Recreativa de Cardielos sempre se incumbe de organizar fazendo com que os jogadores permaneçam no local pela noite dentro e até “se jogar a ultima cartada ou a última malha”.

De noite, as rugas, os toques das concertinas e ao cantares ao desafio animam aqueles que se juntam para conviver no alto do monte. Não podemos esquecer que a festa deste ano, e apesar de coincidir com o fim de semana, se deparou com “a diversidade de festas nesse dia”. Tradicionalmente esta festa de Verão é menos rentável pelo que “a crise e falta de dinheiro que se denota em muitas famílias, torna as festas realizadas no Verão em honra de S. Tiago menos rentáveis. Esta, feitas as contas, os valores movimentados são equivalentes aos da última festa de S. Tiago”, sublinhou João Luís.

Independentemente deste e de outros factores, o Sábado, principal dia de festa, movimentou os muitos devotos de S. Tiago que participaram na Eucaristia, solenizada pelo Grupo Coral Renascer, e na procissão com a bênção dos animais, campos e das pessoas presentes. A romaria terminou com a despedida da Banda Marcial Ribeiradiense.

Servir com o coração como Tiago serviu

Precisamente é no dia maior da festa que nos vamos agora focar recorrendo à pregação do senhor Padre Tiago Barbosa que lembrou que “a Palavra de Deus é expressão de fé e dá sentido à celebração e à aventura com Jesus Cristo”.

O pregador, que acompanhou o senhor Padre Vítor nos momentos religiosos, falou a muitos devotos entre os quais as autoridades civis, da união das freguesias de Cardielos e Serreleis e também da Câmara Municipal de Viana do Castelo, como habitual.

A todos o Sacerdote reiterou que os discípulos testemunham aquilo em que acreditam. Assim, “as nossas palavras têm de manifestar o que somos e vivemos”, à semelhança do lema de vida de S. Francisco de Assis.

Trata-se, essencialmente, “de trabalhar no Reino de Deus que não é nossa propriedade. Quem quiser ser o primeiro que seja o escravo de todos”, lembra a Sagrada Escritura. É por isso que Jesus convida a colocar o nosso coração em tudo o que fazemos e não apenas fazer corpo presente, como foi exemplificando o Padre Tiago. Até porque “só dá a vida e só serve o que dá o seu coração, como fez Jesus”.

O Sacerdote foi mais longe e começou a perguntar qual o comportamento dos crentes presentes em situações de conflitos. Verdadeiros pacifistas ou verdadeiros egoístas? Tiago é aquele que deixa tudo por Jesus e dá uma grande lição, mas sabia que teria uma recompensa, à semelhança de qualquer comportamento puramente humano.

Ao mesmo tempo há a convicção de que “nós trazemos em vasos de barro um grande tesouro que não é nosso”. Os vasos são bonitos e úteis e guardam grandes tesouros. Para explicar melhor o pregador ainda recorreu ao exemplo de S. Paulo que convida a aceitar a fragilidade de querermos ser os primeiros. S Tiago foi um desses. Na verdade foi o que acreditou, falou e quiseram silenciá-lo. Foi o primeiro a morrer por Jesus Cristo e que procurou a união.

Quanto à Palavra de Deus, “ajuda a viver com o coração ao serviço por Deus e para os outros”. Ou seja, aquele que quiser seguir Jesus Cristo tem de se pôr ao serviço e dar a sua vida, como S. Tiago que aceitou a proposta de Jesus e se tornou um  modelo a seguir.

S. Tiago foi peregrino e, no caminho que percorreu, não havia nem maiores, nem mais importantes. Em qualquer caminho só podemos levar o essencial. Daí que “esta bonita festa e tradição não seja apenas o marcar do ponto. Coloquemos o nosso coração no altar e vivamos o que Jesus Cristo nos convida, na certeza de que contigo vou sempre colher com alegria”. É este o resumo mais adequado da vida de S. Tiago.

Terminada a Eucaristia saiu a imponente procissão com os andores e as bandeiras, bem como a cruz paroquial. Depois, juntaram-se os muitos cavalos que vieram para receber a bênção, uma vez que o tratamento do corpo lhes é dado pelos tratadores.

Como começamos por dizer o balança da festa foi muito positivo, à semelhança da  afluência de pessoas ao recinto, bem como a marcação de eventos e convívios. Nota-se, quase por unanimidade, o gosto e o apreciar, de tudo de bom, que ao longo dos anos se tem feito no local das muitas pessoas que sobem a S. Silvestre, especialmente nesta altura do Verão.

Além das festas, muito trabalho pode ser visto no Monte de S. Silvestre

Caminhando o mandato destes mesários para o fim, com apenas uma festa a faltar organizar, ainda não se pensa na continuidade. Pensa-se sim nas obras que há a fazer e nas muitas que foram feitas e que puderam perfeitamente ser observadas e apreciadas durante as festividades. “Nos últimos meses a Confraria realizou três obras de conservação e melhoramentos de significada importância. O alargamento da via de acesso ao recinto, a pintura interior da capela e o acabamento exterior das novas casa de banho, estas também com saída ao mesmo nível para o lado poente. Procedemos ainda à troca de torneiras nos lavatórios das novas casas de banho, visto as torneiras existentes estarem constantemente avariadas”, explicou o juiz.

Quanto à recta final dos trabalhos, e para além dos almoços convívio e outras marcações de convívios já existentes que nos podem deixar alguma margem financeira, estamos ainda a ponderar fazer o tradicional cozido à portuguesa pelo S. Martinho”.

A terminar João Luís lembrou que “o mandato caminha para o fim, apenas nos falta fazer a festa em honra de S. Silvestre no mês de Dezembro. Muito foi feito, muito ainda há a fazer. Das obras realizadas até ao presente, está tudo pago. De parte da receita da última festa, bem como de verbas que possamos ainda adquirir, por exemplo com o convívio do S. Martinho e com o peditório anual, temos em estudo alguns melhoramentos que, havendo unanimidade entre os confrades, iremos avançar”.

O mesmo deixou em nome da Confraria “uma nota de reconhecido agradecimento a todos aqueles que não pertencendo à Confraria voluntariamente tudo fizeram para que a romaria fosse bem  sucedida”.

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